
As coisas belas
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo são belas?
E belas, para quê?
Põe-se o Sol porque o movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?
Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?
Se por acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?
António Gedeão, Poemas Póstumos
2 comentários:
'Não sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ter madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma Madrugada?' Alberto Caeiro
Belo texto!
A última estrofe é fantástica!
Enviar um comentário