'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

terça-feira, 31 de agosto de 2010

fim de tarde

Sai de casa.
Ar fresco.
Ar fresco.
O vento abana os meus ombros, tudo a minha volta se agita, o sol é quente, onda massiva de calor atravessa todo o meu corpo, sinto-me quente, tão quente, respirar , respirar, o verde das arvores mistura-se com o vermelho do meu cabelo e o céu, esse é ciano, meio violeta, dependendo do olhar, do toque, da pessoa, pessoas, pessoas passam sem parar, a multidão condensa-se, todos se tocam, mas nenhum fica , nada fica no mesmo lugar, tudo muda, e o vento abana novamente os meus ombros, e eu não vejo nada, de repente vejo-me na multidão e não me reconheço, não sei quem sou, obrigo -me a parar, a pensar, e repito, repito os mesmos gestos, as mesmas palavras, manipulo as pessoas, ignoro as pessoas, rejeito, amo, violo, e repito tudo de novo quando o objectivo era mudar, mudar tudo e não mudar nada, beijar-te à força e arrepender-me, mutilar o meu pensamento e o sangue dos meus braços mistura-se com a cor do meu cabelo.
Decido por fim o rumo.
O rumo.

m.d.a.

1 comentário:

Luísa Olimack disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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