'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Papai do Céu


Quando eu era bem pequeno,
Minha mãe sempre dizia,
Que lá no céu existia,
Um tal senhor Nazareno.

Quando o céu nublava,
E trovões e raios surgiam
Ela sempre me enganava,
Quando os pingos caíam,
Parece que o pai do céu chorava.

Quando o céu forte gritava,
O Senhor estava tão zangado
Que de pesar não se agüentava,
Por todos os nossos pecados.

Eu inocente acreditava,
Que nosso pai sempre nos olhava,
Que protegia e cuidava,
Que por nós, zelava e amava.

Mas comecei a questionar,
Quando eu me punha a orar,
Se ele era de repente surdo,
Ou se me ouvia e ficava mudo.

Depois pensei que eu não era digno,
De entender o tais desígnios,
De sua grande sabedoria e grandeza,
Por só trazer em minha vida, tristeza.

Quando eu era bem pequeno,
Minha mãe dizia,
Pra eu sempre agradecer...

Então eu de joelhos caio,
Oh meu grande pai do céu,
Senhor da complacência e do amor,

Agradeço a ti somente o que tenho,
Obrigado por toda essa DOR,
Obrigado pelo seu desdenho,

Oh meu grande pai do céu,
Obrigado por fazer da minha vida,
a ser sempre julgado por ti,

No seu banco um eterno Réu.
Obrigado por fazer a minha vida,
Ter um prazeroso gosto de féu.

4 comentários:

silvioafonso disse...

.

Na confluência da cruz com a
madeira eu molho a raiz do
jacarandá com a seiva dos meus
olhos.
Obrigado meu Deus pelo pranto e
pelo riso. Pela dor e o juizo
que eu sinto e tenho em mim.

silvioafonso.




.

Tati disse...

aaaaah

que legal esse blog :D

Rafael Castellar das Neves disse...

Excelente!! Excelente, Camargo!!!

[]ss

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

Lindas palavras!

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