'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

São Jose dos Pinhais, em Terza

Caríssimos amigos, gostaria de publicar esta minha poesia, que acabou sendo premiada no concuros de obras literárias do meu município...
como fiquei enormemente lisonjeado, gostaria de compartilhar minha alegria com todos vcs...


São José dos Pinhais, em Terza

Canto I

Óh querida, da sua terra, pois, sou filho.
Amo-te como uma mãe, a sua prole ama...
qual amor, amada, tem maior brilho?

O do poeta, por sua linha mais insana?
Ou do músico por sua mais linda melodia?
Digo-te que meu coração não te engana...

ainda que uma palavra, que minha boca pronuncia
à tua força e beleza não façam jus,
quero que seja em minha vida, minha guia.

Sabes que se pudesse, em meu ombro, tua cruz
eu levaria, mesmo que ficasse meu peito arfante,
pois em meu caminho, tu és minha luz.

Por saber tua história, faço-me teu amante,
minha querida e grande, meu arraial,
que dizem-te fundada por explorador viajante...

mas o cheiro do seu ar, já estava aqui afinal.
Alimentaste os lusos e os tupi-guarani...
uns cuidaram do teu belo, outros fizeram-lhe mal.

Se os insipientes cuidaram de ti,
os que muitos mares atravessaram
por fome do teu ouro chegaram aqui...


garimparam seus rios, e tuas terras profanaram..
e andou por seus caminhos, um tal Coutinho
e muitos outros. E teus pinheiros derrubaram...

fizeram do teu seio, de riquezas o seu ninho,
sei que até calaram o grito da tua dor
quando mataram uma gralha-azul no caminho.

E todos aqueles índios que tinham por ti amor?
Sei que seus sangues correm nos teus rios...
o que fizestes de mal, para ter tão cruel credor?

Como podem muitos, serem assim tão frios?
Pergunto-me o porquê de tantas fazendas...
acho que seus corações eram vazios,

e que fizeram da riqueza material suas prendas.
Tamanha empresa foi para tanta madeira carregar,
depois que abriram em ti, tamanhas fendas,

muita coisa levaram-te, adentro mar...
deram-te nomes, de vila a frequesia.
Usaram tua terra, tua água e teu ar...

e sei que chorar era o que fazia
de águas belas a capocu,
usaram da língua dos jé, eu diria.

Penso que não viam teu céu tão azul,
e hoje sob tua terra jazem,
da aurora do leste, de norte a sul.
Será que onde estão, mais mal fazem?
Hoje estão abaixo da riqueza que criaram
e da tua grandeza estão aquém.

Canto II

Eu não estava aqui quanto os primeiros te exploraram,
e sinto que muitos ainda não vêem o teu valor.
Mas também sei que muitos por ti lutaram.

Eu só espero sempre sentir seu calor...
e ainda hoje muitos ainda tentam,
ferir-te, e não vêem tua cor...

mas muitos, tua beleza, ostentam
do grande Leopoldo ao anônimo poeta
que para ti escrevem e cantam.

***
e eu sou um desses, maluco piegas,
que erra, mas tenta escrever de coração,
e que pede que deixe-me por muito tempo,
sentir o cheiro do teu ar, e a força do teu chão.


Hugo Roberto Bher

2 comentários:

ParadoXos disse...

eu... sou um desses, sim!
palavras que ficam - sem dúvida!!


abraço terno!

J. Araújo disse...

Passei pra ler seus posts e desejar uma boa semana

Bj

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