'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

domingo, 14 de dezembro de 2008

No âmbito da proposta da realização de um texto conjunto no ES, uma leitora, pelo que desde já agradeço, sugeriu uma introdução.

A época aproximava-se. Este não seria um Natal como tantos outros. Afastou o cortinado azul da sala, olhou pelo vidro transparente da janela. Pesadas gotas de água caíam lá fora, sobre o negro asfalto, a verde relva salpicada de narcisos, o carro vermelho meticulosamente estacionado frente ao portão. Ao longe a serra erguia-se imponente, perfurando o céu onde um multicolor e tímido arco-íris se desenhava. Nevaria este ano?
Não amava o frio por aí além, mas gostava do crepitar da madeira a arder na lareira, do aconchego que ela lhe provocava, o calor imenso que emanava e… aquelas chamas vermelhas que o inspiravam. Abriu a portinhola, remexeu a lenha, ateou mais o fogo que lhe abrasou o rosto e a alma. Olhou o velho relógio pendurado na parede. Ainda era cedo.
Sentou-se calmamente na poltrona de veludo estampado, já coçado pelos anos de uso. Fitou os olhos negros da foto emoldurada sobre a mesa. Entrelaçou os dedos de ambas as mãos sobre o colo. Recostou a cabeça e os olhos cerraram-se lentamente até ao mais profundo interior de si mesmo.
A seu lado as luzes da enorme árvore de Natal continuavam a piscar e lá fora chovia intensamente…

Escrito por: Escarlate.Due (aqui!)
Nota: Comentem e expressem a vossa opinião. Quem se disponibilizar a continuar o rumo do conto, faça favor de referir... ;)

2 comentários:

Miuda Do Armário disse...

bem... aqui vai a minha proposta de continuação:


(...)
Acordou de repente, a ânsia despertou-o, com uma força maior do que 30 aparelhagens no volume máximo.
olhou de novo para o relógio. As horas teimavam em não passar, e a cada movimento do ponteiro, o seu coração palpitava mais depressa.
As saudades matavam-no. Passavam já uns bons anos que não esperava um Natal assim e tudo parecia mais brilhante do que o normal. Inclusive, a velha árvore de natal, que a seu lado parecia adivinhar a alegria imensa que emanava do seu espirito cansado.
Nada se ouvia naquela sala imensa, demasiado grande para um homem só, apenas a sua respiração tensa e aflita, e o crepitar da lareira à sua frente.
Cobriu-se com um velho cobertor azul, seu único companheiro naqueles últimos tempos e tentou descansar a sua alma velha.

Há quanto tempo não se sentia assim?

Há quanto tempo não sentia borboletas no seu já cansado estômagO?

Sorriu. Os seus olhos tristes pareciam ganhar vida, enquanto ao longe lá fora, os primeiros flocos de neve começavam a cair.

ZAZÁ LEE disse...

Este é o meu quadro preferido de Dali.Está em frente á minha cama....
gostaria de publicar este texto com esta imagem no meu blog. como vc já me deu sinal verde, farei isto, mas com seus créditos claro!

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