'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

quarta-feira, 27 de maio de 2009


SAI UMA MINI

O rugido do leão

Antunes Ferreira
Se ainda me concederem espaço nesta Minha (?) Travessa - o que espero e desejo vivamente -, vou contar aqui umas estorinhas muito rápidas. A primeira tem por protagonista o general na reserva Gomes Marcelino. Um senhor que se arriscara a ir parar com os costados na Normandia, mas que, por obra e graça do Doutor Baltazar (ele era qualquer coisa terminada em ar… antes de ir ao ar) se livrara de tal incómodo. Ah, e da Senhora de Fátima.

Pelas Áfricas, o então major andou, mais camuflado, menos ração de combate. Porém, nos intervalos da metralha o oficial do que gostava era de ir à caça. Atirador excelente, confessava-se modestamente, muitos tinham sido os episódios empolgantes que vivera, com os mais diversos animais no ponto de mira.

Agora, conversava depois de lauto jantar em casa do comendador Fonseca Galhardo. Entre o café e a aguardente-velha, os episódios cinegéticos fervilhavam. As oito senhoras presentes rodearam-no. Senhor General, teve alguma vez que defrontar-se com um leão? Perfeitamente, minhas queridas. Um leão enorme, de juba eriçada. Conte, conte.



>Pois bem, eu ia na esteira do bicho, eis senão quando o malandro sai do mato e começa a correr para mim. Os auxiliares raspam-se. Eu, sem temor, faço pontaria e… click. Espingarda encravada. Não me restava senão dar também às de vila-diogo. E o leão atrás de mim. E corríamos ambos. E o bandido, graum, graummmmm, graaauuuuummmmmmm!!!!!!!!

Com as vossas deculpas, ilustres Damas: eu borrei-me todo. Ó senhor general, não se preocupe, disse a Senhora Dona Felismina, comendadora, ou seja, amantíssima esposa do Galhardo. Em tais transes, foi mais do que justificado, venha o mais pintado dizer que tal nunca lhe acontecera. Mas, caro Amigo, isso foi em tempos…

Perdão, queridas Amigas, foi agora, com o esforço que fiz a rugir como o leão.
Já está. Há mais do general. Depois se verá.

(Também publicado em A Minha Travessa do Ferreira e Splish-Splash)


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CONVITE

… e já agora aqui deixo o convite para a conferência sobre o meu «Morte na Picada» que amanhã faço, pelas 19:00, na Biblioteca-Museu da República e Resistência/Grandella, que fica na Estrada de Benfica, 419.
A todos os que quiserem – e puderem – ir aturar-me, o meu muito obrigado.

1 comentário:

CelyLua - O blog das Letras disse...

Gostei da historia...
Um ótimo desenvolvimento...
Parabéns e aplausos!
Mesmo não podendo comparecer a conferência, mas desejo de coração felicidades...
Deus te abençoe.
Beijos de poesias perfumadas...
Com apreço,
CelyLua, Amiga e fã da tua inspiração...

Muito obrigada!

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