'O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo'
Alberto Caeiro

Sentidos

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Detesto-a de tanto amar,
simplesmente porque amo.
Amo-a tanto detestando,
sem detestar assim tanto.

E os dias passam e o sol se esconde
tal eu me escondo cá dentro,
esperando que me ilumine
num certo espaço,
um momento.

E foge o tempo e a vida corre
com pernas longas e gastas
e no papel o nada morre
em letras velhas, atarefadas.
No novo 'eu'.

E sem detestar assim tanto,
simplesmente porque amo:
amo-a tanto detestando,
detesto-a de tanto amar.
Aconteceu.

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1 comentário:

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Entre o que vejo e o que digo,
entre o que digo e o que calo,
entre o que calo e o que sonho,
entre o que sonho e o que esqueço,
a poesia.
Desliza entre o sim e o não:
Diz o que calo,
cala o que digo,
sonha o que esqueço.
Não é um dizer: é um fazer.
É um fazer que é um dizer.
A poesia se diz e se ouve: é real.
E, apenas digo é real, se dissipa.
Será assim mais real?

(Octávio Paz – México)

Desejo uma semana iluminada, com muita paz e amor.
Do amigo
Eduardo Poisl

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